Imagine-se daqui dez anos... O que você espera? Quais seus planos e sonhos? O que você faria para que tudo desse certo?
Agora lembre-se de como você era dez anos atrás... Você fez tudo que prometeu? Alcançou metas que traçou? Lutou até o último instante por aquilo que desejava?
Bom, agora... Pense que tudo deu certo. Ou ao menos que alguma coisa saiu como desejado... Como você se sente? O que você fala, pensa, faz? Você grita, chora, pula?
Eu não sei, prodígios. Não sei como agir ou pensar nesse momento. É surreal, como se eu não fosse Luene Langhammer Alves, a criança-adulta que brinca com as palavras e desejou por tanto tempo que as palavras fizessem sentido para alguns, ou que iluminasse a mente de outros.
É estranho, não é? Pessoas que gostam de escrever, que criam universos inteiros dentro da mente, personagens complexos e interessantes... Que conversam sobre a Lara ou a Irene, como se eles fossem reais, como se eles estivessem por aí, em algum lugar, contando suas histórias para serem eternizados por nós.
Escritor é um bicho engraçado. Um ser que entende milhões, mas não compreende a si mesmo muitas vezes. Uma entidade que é capaz de resolver enigmas, mas não consegue decidir entre um tipo de chá...
Mesmo assim... O escritor não hesita, não desiste, não se perde... Ou talvez, por um singelo momento, ele se perde, apenas para se encontrar mais tarde, ainda mais forte, mais sábio e mais lutador.
Hoje eu posso dizer que faço parte desse mundo estranho e inusitado. Hoje posso afirmar que sou uma... Qual mesma a palavra? Ah! Ela está na ponta da língua!
Sou uma...
Uma...
Escritora...
Engraçado, não?
Há pouco menos de dez anos eu sonhava, brincava com minhas vontades e medos... Corria das tristezas e abraçava as alegrias. Há menos de dez anos eu olhava para meus pais, meus doces e queridos pais, e me perguntava: "Será? Será que vai dar certo? Será que vou conseguir?"
Mas nunca desisti. Nunca foi fácil. Nunca será fácil. Não digo que por ser difícil seja mais emocionante, mas faz tudo valer mais a pena.
Em pensar que aos treze anos de idade eu escrevia meu primeiro romance... Eu fazia calos nas mãos, rabiscava folhas e mais folhas, usava palavras que tinha acabado de aprender ao ler um livro novo. Em pensar que consegui terminar o dito-cujo e de como tinha orgulho dele!! Em pensar que escrevi outro romance e em seguida outro, sempre tentando me superar, sempre tentando mostrar para mim mesma: "Ora, Luene! Você consegue! Você pode!".
Em pensar que hoje dou orgulho a todas as pessoas que acreditaram e ainda acreditam em mim. A todas essas maravilhosas pessoas que me apoiam, sem soltar minha mão por um minuto sequer... Em pensar... Em pensar.... Em pens...
Não consigo mais pensar. Meus olhos dizem por mim, meus dedos dizem por mim, minha alma diz por mim:
"Você conseguiu."
Esse não é meu destino, apenas o ponto de partida. Trilharei muitos caminhos, percorrei muitas milhas, dilacerarei meus pés nos espinhos... Mas não vou desistir. Não vou. Simplesmente não vou.
Lembram como comecei? Com uma ideia maluca... Maluca mesmo. Uma ideia que tive ao sonhar. Um único sonho. Um sonho confuso e sem sentido algum. E como continuei? Pensando, criando, modelando. E o que fiz? Continuei. E o que fiz a seguir? Corri atrás.
Depois de quase três anos meu sonho se torna realidade. TRÊS MARAVILHOSOS ANOS! Em 2010. Em 2010... Dá pra acreditar?, pergunto a vocês. Depois de quase três anos nós temos a minha primeira saga. Depois de tantos meses temos Instituição para Jovens Prodígios. Quatro livros. Uma história. Uma garota.
escrever, escrever, escrever, escrever. escrever, revisar, revisar, cortar, mudar, adicionar, alterar, chorar, desesperar, revisar, revisar, revisar, enviar, registrar, falar, aceitar, chorar, gritar, criar, divulgar, divulgar, divulgar, mandar, mandar, mandar, receber, receber, chorar, chorar...
receber, pular, angustiar, determinar, esperar, esperar, brigar, brigar, mudar, mudar,revisar, revisar, aceitar, aceitar, chorar... Publicar... Lançar...
Muitas decisões foram tomadas, muitos desejos tiveram de ser deixados de lado, apenas esperando outro momento, outra oportunidade. Sei que muita coisa poderia ser diferente (ou não?). Poderia ser melhor (ou não?).
Não sei realmente o que pensar, prodígios. Foram meses de loucura e ansiedade. Semanas de incertezas e angústias. Dias de choros e explosões de júbilo. Segundos de... um Nada mais profundo que qualquer Tudo.
Nunca esquecerei o momento em que vi meu livro, meu pequeno filho, no site, disponível, lançado, oficialmente publicado. Eu simplesmente... Não entendi. Não compreendi como aquilo podia ser verdade. Ar saiu dos meus pulmões e minhas mãos tremeram. Era verdade? Aquela era eu? L. L. Alves? Poderia ser realmente eu, a criança-adulta que ainda sonha com dias melhores? Aquele era o meu livro? O livro que escrevi com tanto amor e com tanto afinco? O livro que finalmente criou asas e voou?
Vocês acreditam? Não tenho certeza se ainda acredito. Talvez "a ficha" nunca caia. Talvez eu apenas acorde desse sonho maravilhoso daqui alguns anos e então perceba que...
Aquela garota, com aquele sonho "impossível", escreveu um livro e perpetuou uma saga... Que ela trouxe à vida a história de Lara Müller e de outros incontáveis e inesperados jovens prodígios. E que, depois de tanta luta, ela finalmente conseguiu - mesmo que por um único e brilhante momento, inspirar multidões como um dia ela foi inspirada...
Aquela garota, com aquele sonho "impossível", escreveu um livro e perpetuou uma saga... Que ela trouxe à vida a história de Lara Müller e de outros incontáveis e inesperados jovens prodígios. E que, depois de tanta luta, ela finalmente conseguiu - mesmo que por um único e brilhante momento, inspirar multidões como um dia ela foi inspirada...
Abraços,
L. L. Alves

















